Babywearing e a importância do pai.

Em conversas frequentes nas tertúlias entre amigos e familiares, fico sempre com a sensação de que muitos pais de bebés ainda pequenos têm a sensação de que a mãe é a única que os pode confortar. O que não deixa de ser verdade em situações em que os bebés estão exclusivamente a ser amamentados ou em que as mães ficam em casa com os filhos… No entanto eles podem sempre participar e ajudar de alguma forma. Mas precisam de saber como. Também é tudo novo para eles e tudo menos instintivo, o que dificulta um pouco mais o processo. 

Quando questionados sobre as vantagens e benefícios dos porta-bebés, muitos homens consideram ser útil apenas para situações em que precisem das mãos livres para fazer alguma tarefa ou para ajudar o bebé a adormecer. Sem dúvida que os porta-bebés são extremamente úteis para essas circunstâncias, mas se calhar já é altura de começarem a conhecer na prática outros benefícios que este método lhes pode trazer.

 

enhanced-buzz-wide-2970-1426868744-7A sensação de segurar um bebé nos nossos braços é única. O cheiro, o colo, o contacto humano na sua forma mais primordial, a sensação de que somos essenciais para a sobrevivência de um pequeno ser, faz-nos sentir úteis e aumenta a nossa auto-estima.É recíproco, eles precisam de nós e nós deles. Principalmente quando os vemos crescer todos os dias e de repente percebemos que devemos estar a fazer algo certo, porque eles estão bem. Mas o babywearing consegue ir mais além, reproduzindo a sensação de aconchego, conforto e segurança que sentiam no útero da mãe.

Ao serem transportados no pano, no ring sling, no Mei Tai ou na mochila ergonómica, prolongamos a sensação de um abraço constante, eterno, que pode ser prolongado pelo tempo que ambos desejarem. Continuamos a dar atenção ao bebé e estamos atentos às suas necessidades, sem perdermos a nossa individualidade e capacidade para fazer outras coisas para nós. E é esta questão que descobri nestas conversas, que mais assustava os pais ao início, o facto de terem que deixar de fazer tudo o que gostavam ou precisavam quando ficam sozinhos com os filhos. Ou até mesmo o facto de não conseguirem fazer mais nada quando ficam sozinhos com os filhos. Babywearing pais, babywearing é a solução! 

E pensem assim pais, aqui têm uma oportunidade única para sentirem o que é ter um bebé ligado a nós, tão enroscado e aconchegado no nosso peito como se ainda não tivesse nascido, como se ainda estivesse no útero. Eles estiveram 9 meses lá dentro mas precisam de pelo menos mais 12 meses cá fora até iniciarem o processo de autonomia e aprendizagem. E vocês podem ser parte disso, com a vantagem de agora poderem ter outro papel muito importante, a de ajudarem os vossos filhos a crescer de forma segura e confiantes, sem medo de conhecerem ou explorarem o que aí vem. Estas, garanto-vos, são características que o método do babywearing desenvolve muito bem.

10a6cbcbb942d1d265cf82aeb375a2cf

Eles sabem que o pai ou a mãe estão por perto, por isso não choram tanto, por isso se acalmam tão rapidamente, por isso beneficiam de muitas outras vantagens a nível fisiológico e de desenvolvimento psico-motor sobre as quais temos vindo a abordar neste blog.

Pois bem pais, não tenham ciúmes das mães, vocês são muito importantes e também podem oferecer todo o conforto e aconchego de que os vossos bebés precisam, têm um mundo de oferta de porta-bebés para isso, basta escolherem aquele que se adapta melhor ao vosso bebé, ao vosso gosto, orçamento e estilo de vida. Depois disto, ponham o porta-bebés e vão passear, passeiem muito com os vosso filhos, mostrem-lhes os vossos sítios preferidos, os cheiros, as cores…e vivam cada momento, criem memórias. 

P.S: Pensem também na questão logística e em como já não terão que transportar o carrinho de um lado para o outro sempre que forem a algum lado… 😉

Ha! e Feliz dia do PAI!!!!!  🙂

Advertisements

Plagiocefalia Posicional em recém-nascidos

Somos diariamente procurados por clientes que são encaminhados por especialistas da área da saúde, que recomendam o Babywearing como uma forma de tratamento para diversos diagnósticos. Um dos mais recorrentes tem sido a Plagiocefalia Posicional (PP). Em entrevista com a osteopata Vera Barata, fomos em busca de mais informação sobre o tema.

Em que é que a Plagiocefalia Posicional (PP)se distingue dos outros tipos de deformidades cranianas?

crânio normal e cranio com PP
Crânio normal e crânio com PP

Dentro das diversas deformidades cranianas existem a plagiocefalia, braquicefalia, escafocefalia, trigonocefalia e a oxicefalia. A mais comum é a Plagiocefalia Posicional ( ou plagiocefalia não-sinostótica) e normalmente caracteriza-se por: aplanamento da região posterior da cabeça, de um lado; do mesmo lado do aplanamento posterior, a testa/osso frontal está mais saliente, podendo apresentar órbitas oculares com tamanhos diferentes; a orelha do mesmo lado pode estar mais para a frente.

ppcom sinostose a direita
PP com sinostose à direita

A PP é frequente e deve ser realizado o diagnóstico diferencial com outro tipo de plagiocefalia, a Plagiocefalia Sinostótica que pode ter indicação cirúrgica e se caracteriza por um fecho precoce da sutura entre o occipital e o parietal. Esta fusão precoce é rara (3/100.000 bebés) e o crânio apresentará uma deformidade oblíqua também. Mas com o crescimento da cabeça do bebé, deforma-se de modo ligeiramente diferente à volta dessa sutura, que está impossibilitada de expandir simetricamente. A PP é desencadeada por forças mecânicas extrínsecas. Estas forças podem estar presentes no útero (condicionando molde), durante o nascimento ou pós-natal (de ordem postural) e ocorrem devido à plasticidade do crânio no recém-nascido e pequeno lactente.

Em que fase pode ser diagnosticada e quais os métodos de diagnóstico utilizados?

Pode ser diagnosticada logo após o parto, se for uma plagiocefalia derivada da posição intra-uterina, resultado de um parto complicado ou uma Plagiocefalia Sinostótica (esta é rara). Para diferenciar a PP da plagiocefalia sinostótica pode ser necessário recorrer a exames complementares de diagnóstico, tais como radiografias ou TC-3D.

O diagnóstico deve ser realizado o mais cedo possível pelo médico pediatra e recomendar as medidas necessárias para prevenir e corrigir, seja o ensino do posicionamento ou o encaminhamento para a osteopatia ou neurocirurgia. Podemos medir a plagiocefalia com um craniómetro ou com estudo fotográfico das linhas oblíquas do occipital ao frontal. Consoante a assimetria poderemos classificar em Plagiocefalia leve, moderada ou grave. O tratamento irá depender da sua severidade.

Quais os principais factores e grupos de risco associados ao seu aparecimento?

Bebés  prematuros; bebés que nascem com torcicolos; bebés que “dão a volta” muito cedo e ficam muitas semanas com a cabeça encaixada na pélvis da mãe; atraso no desenvolvimento; partos complicados com fórceps ou ventosas; tempo prolongado deitado nos “ovos”, alcofas ou carrinhos de passeio; restrição do espaço intra-uterino por; gravidez de gémeos; má posição intra-uterina; macrossomia; macrocefalia; pélvis maternas pequenas; miomas uterinos.

A prevalência actual da PP depende da idade do lactente?

Na maioria dos casos manifesta-se nos primeiros meses, com uma prevalência de 16-22% nas 6-7 semanas de vida e de 19,7% aos 4 meses. A melhoria da PP inicia-se por volta dos 6 meses e habitualmente, pelos 2 anos de idade, a sua prevalência é significativamente inferior (3,3%).

Estes dados consideram apenas se a forma do crânio diminuiu a sua assimetria, não consideram se a mobilidade craniana normal foi restabelecida e não correlacionam as possíveis sequelas a longo prazo que possam estar associadas a uma PP aparentemente resolvida. Apenas a realização de estudos contínuos poderão comprovar que ficaram resolvidas funcionalmente e não apenas esteticamente.

A Plagiocefalia é mais frequente no sexo masculino, devendo-se ao facto de habitualmente o perímetro cefálico à nascença ser maior no sexo masculino, predispondo a maior deformação, e também ao seu crescimento mais rápido nos primeiros 3 meses de vida, existindo uma maior pressão sobre o crânio.

As recomendações médicas são as de que os recém-nascidos devem ser colocados para dormir na posição supina (barriga para cima). Este hábito poderá contribuir significativamente para o aparecimento de uma deformidade craniana?

A prevalência de PP em lactentes aumentou nas últimas duas décadas, devido em grande parte à recomendação da Academia Americana de Pediatria (1992) para deitar os lactentes em decúbito dorsal (barriga para cima), de modo a prevenir a síndrome da morte súbita.

Por se caracterizar por um achatamento na região posterior da cabeça de um dos lados, ao permanecer muito tempo deitado a olhar para cima pode formar uma braquicefalia, quando deitado de lado pode formar uma escafocefalia.tipos de deformidades cranianas

Com que frequência lhe aparecem casos destes?

De momento começa a ser uma condição que surge nas minhas consultas praticamente todas as semanas, derivado à maior visibilidade da Osteopatia Pediátrica, área ainda pouco conhecida em Portugal. A tendência é aparecerem bebés com plagiocefalias com mais de 5 meses de evolução. O desejável seria recorrerem à osteopatia logo que se torna visível a plagiocefalia, mesmo que muito ligeira, pois quanto mais cedo se actuar mais eficaz é o tratamento e menos sessões serão necessárias.

Se não for tratada a tempo, quais as consequências a longo prazo para este tipo de diagnóstico?

Nas situações mais leves, muitas vezes o ensino dos posicionamentos resolve a assimetria, mas é importante referir que a PP não é apenas um problema estético e que até as aparentemente resolvidas, devem ser avaliadas por um osteopata para certificar que foi restabelecida a boa mobilidade craniana.

Fisiopatologia da moldagem do crânio
Fisiopatologia da moldagem do crânio

A assimetria craniana pode alterar o posicionamento dos olhos, orelhas e mandíbula à medida que a criança cresce, podendo predispor para uma má oclusão dentária, disfunções da ATM (articulação da mandíbula com o osso craniano temporal), tal como pode facilitar o aparecimento de atitudes escolióticas durante o crescimento devido à alteração do occipital, estruturas torácicas e pélvicas.

É importante perceber que entre alguns ossos do crânio passam estruturas importantes nervosas e vasculares necessárias para o bom desenvolvimento da criança, nomeadamente os nervos cranianos que comandam o movimento dos olhos, os nervos que comandam diversos músculos da cervical e mandíbula, os nervos que comandam os músculos da deglutição, sucção e alguns necessários para a fala.

Deste modo o tratamento osteopático não tem apenas a preocupação estética, que tendo a sua relevância não será o mais importante no desenvolvimento do bebé. A actuação atempada da osteopatia ajuda a manter a mobilidade e normalização das tensões de todo o corpo envolvido, necessária para evitar compressões nervosas e desequilíbrios articulares e musculares que facilitarão alterações músculo-esqueléticas durante o crescimento.

Nos casos de confirmação deste diagnóstico, qual a abordagem que a osteopatia infantil faz como método de tratamento?

A Osteopatia Infantil utiliza técnicas manuais muito suaves, sem aplicação de força. Há uma avaliação inicial: a anamnese (entrevista de diagnóstico) e a classificação da gravidade da plagiocefalia. Após a qual se avaliam as tensões anormais que possam contribuir para a manutenção da deformidade dos ossos do crânio.

A abordagem osteopática nestes casos tem como objectivo: normalizar o tónus da musculatura afectada; flexibilizar as suturas comprimidas ou sobrepostas; trabalhar as zonas planas e as salientes, normalizar o movimento craniano do bebé e aconselhar os pais no que respeita ao posicionamento e ensino de exercícios para casa.

Durante o tratamento o osteopata adapta-se ao bebé, podendo realizar técnicas na marquesa, com o bebé acordado ou a dormir, no seu colo ou no colo dos pais. Durante o tratamento os pais podem participar e até aprender algumas técnicas simples de modo a poderem contribuir para a evolução positiva do seu bebé em casa.

Em casos graves será sempre ponderada a colocação do capacete correctivo, prática pouco comum em Portugal, mas frequente em outros países. A “técnica do esperar para ver se corrige” não faz sentido hoje em dia, uma vez que existe imensa informação à nossa disposição e um conhecimento cada vez mais alargado das consequências destas disfunções. Uma abordagem precoce terá sempre resultados mais rápidos com consequente menor número de sessões. O ideal será sempre um trabalho em equipa, ou seja, a comunicação do osteopata com os profissionais de saúde envolvidos, nomeadamente o pediatra, o fisioterapeuta ou o ortopedista pediátrico.

Plagio AG (2)

Verifica-se que os recém-nascidos permanecem durante longos períodos de tempo dentro das cadeiras de transporte automóvel e nos carrinhos de passeio. Uma atitude mais preventiva e esclarecimento dos pais sobre o correcto posicionamento dos bebés poderia ajudar como medida de prevenção?

É de extrema importância o aconselhamento do posicionamento aos pais como método de prevenção de uma PP. Esse aconselhamento pode ser realizado nas primeiras consultas com o médico pediatra, de modo a que os pais evitem que o bebé comece a inclinar a cabeça preferencialmente para um dos lados e que se tomem cuidados específicos no dia-a-dia.

Um dos factores do achatamento da cabeça do bebé é a permanência prolongada em cadeiras de transporte ou nos carrinhos de passeio, sem dúvida. Um modo de prevenir será a utilização de uma almofada própria que evite a rotação da cabeça e distribua o peso da cabeça por diversos pontos da cabeça quando o bebé está deitado. Outro factor que pode ajudar é a opção de trocar ou alternar os carrinhos de passeio pelo Babywearing, nomeadamente slings, panos, mei-tais ou marsúpios, adaptados consoante o bebé vai adquirindo o controlo da cabeça e crescendo. Deste modo evita-se que o bebé esteja deitado com o peso da cabeça a pressionar a região posterior do crânio, ajudando na prevenção da PP ou minimizando o seu agravamento

Os utentes que a procuram já conhecem este sistema de transporte do bebé, mais natural, ou nota que ainda existe alguma falta de informação nesta área? 

Parece-me que os marsúpios são o sistema de transporte mais conhecido pela sweet-little-baby-1200x720maioria dos pais, pelo que me apercebo nas consultas. Os panos ou slings ou os mei-tais são menos conhecidos ou vistos como um transporte menos estável e pouco ergonómico. Creio ser pertinente divulgar estas diferentes formas de transporte, de modo a que haja curiosidade por experimental e optar pelo transporte mais adequado a cada um dos pais ou a cada actividade que se vá fazer com o bebé.

A Dra. Vera Barata é formada e certificada em todas as áreas da Osteopatia e da Fisioterapia, utilizando estes pilares importantes na sua prática clínica. Trabalha actualmente nos seguintes clínicas através das quais poderá ser contactada : www.osteopatacascais.pt  e www.clinicasabeanas.com ou através do blog www.osteopatiacomfisioterapia.blogspot.pt 

Óleo de coco. Óleo para tudo.

O óleo de coco tornou-se num ingrediente popular na culinária devido ao facto da sua estabilidade e tolerância a fontes de calor. Oferece também uma grande variedade de benefícios para a saúde, a nível interno. No entanto, não é apenas o interior que pode beneficiar de óleo de coco.

20140311-DSC_0076-682x1024

O óleo de coco apresenta três características importantíssimas, que fazem dele uma substância muito benéfica para mães e bebés: é antioxidante, anti-inflamatório e anti-bacteriano (tem a capacidade de eliminar micro-organismos). Esta última propriedade pode ser explicada devido à sua composição: no óleo de coco existe uma substância chamada ácido láurico, que é também encontrado no leite materno, e que o organismo utiliza para a produção de um tipo de gordura chamado monolaurina. E é justamente essa monolaurina que consegue atuar sobre a membrana que envolve bactérias, fungos e alguns tipos de vírus, destruindo-a.

Estas últimas propriedades podem ajudar mães e bebé basicamente de duas formas: usado na alimentação ou aplicado directamente na pele:

1) Na alimentação de bebés que já tenham sido introduzidos a sólidos: acredita-se que a ingestão de pequenas quantidades de óleo de coco na comida do bebé melhore a sua imunidade e ajude a regular o trânsito intestinal (indicado especialmente para os bebés com tendência à diarreia). Como é  facilmente absorvido pelo organismo, pode inclusive ajudar a criar uma reserva energética, por exemplo em situações em que os bebés passem por um episódio de doença, em que se recusam a comer e tendem a perder peso.

2) Na alimentação de lactantes: os ácidos gordos naturais presentes no óleo de coco entram na composição hormonal que regula a produção de leite materno, aumentando a sua quantidade e qualidade.

3) Na cicatrização de mamilos gretados, durante a amamentação: algumas mulheres relatam uma melhoria na cicatrização dos mamilos gretados, situação equivalente ao uso de lanolina.

4) Para limpar o mecónio: não é fácil limpar as primeiras fezes do bebê, que aparecem em geral até 12 horas depois do parto. Relatos dizem que usar o óleo de coco no chumaço de algodão pode facilitar bastante o processo.

5) Para problemas de pele comuns  em recém-nascidos: o óleo de coco pode auxiliar na remoção da crosta láctea, na melhoria de eczemas, acne neonatal e da queratose pilar (que são bolinhas que aparecem em braços, pernas e rosto de alguns bebés). O poder hidratante do óleo de coco, associado à sua capacidade anti-inflamatória é um aliado nestes casos.

6) Para tratar assaduras: mais uma alternativa quando a vermelhidão aparece no rabinho do bebé, por ser uma zona tão sensível e fragilizada pelos ácidos presentes na urina e fezes, aqui também a hidratação e a ação anti-inflamatória do óleo de coco são importantes para a melhoria deste quadro.

7) No cabelo: o óleo de coco é uma forma natural de hidratar o cabelo de bebés, crianças e adultos. Ajuda a definir os caracóis naturais, fortalece e dá brilho. Há quem utilize também “na luta” contra os piolhos, misturado com o vinagre, torna-se num poderoso produto natural para eliminar estes parasitas.

8) Para hidratar: pode ser utilizado directamente na pele, depois do banho, aquecendo na palma das mãos e massajando suavemente na pele do seu bebé ou na sua,até desaparecer.

9) Em picadas de insectos: nestas situações deve ser aplicado várias vezes aos dia na zona da picada, até se verificar uma melhoria. A sua ação anti-inflamatória pode ajudar a reduzir os sintomas da picada como o inchaço e vermelhidão.

Pelos motivos acima indicados é particularmente bom para diferentes tratamentos, ajudando a cuidar da pele e cabelo de uma forma segura e natural.  É incluído num grande número de produtos de beleza, mas para realmente obter o máximo proveito do óleo de coco, o melhor é utilizá-lo na sua forma mais pura.

Displasia da Anca e a Osteopatia no Babywearing

O aumento significativo de utilizadores de Babywearing e a divulgação de várias marcas de porta-bebés ergonómicos em Portugal, trouxe consigo a partilha de informação sobre os benefícios que esta prática traz para a saúde dos bebés. Entre eles está o facto comprovado de que o uso de porta-bebés ergonómicos, desde o início de vida, contribui para um bom desenvolvimento da anca do bebé. A Osteopatia Pediátrica também tem vindo a tornar-se cada vez mais conhecida em Portugal, uma área já bastante comum e procurada noutros países, que pode ajudar a tratar várias condições em bebés, desde cólicas, obstipações, otites, choro prolongado, alterações da forma do crânio, entre outras.

“Os humanos são mamíferos que não caminham nas primeiras 12 horas de vida, ao contrário dos restantes. Assim sendo estamos neste aspecto mais próximos dos marsupiais. É suposto sermos transportados ao colo, ou pelo menos de forma idêntica. Nada na nossa estrutura evolutiva indica que os carros de bebé  sejam adequados ao nosso corpo e de alguma maneira benéficos.”

Em entrevista com o Dr. Gonçalo Costa, osteopata especializado em Osteopatia Pediátrica, quisemos saber mais sobre a Displasia do Desenvolvimento da Anca (DDA), da forma como esta ciência terapêutica pode actuar no seu diagnóstico e tratamento,  do papel importante que os porta-bebés ergonómicos desempenham na postura correcta do bebé.

osteopatia2

O que é a Displasia da Anca e o que pode provocar o seu aparecimento?A Displasia da Anca, ou de forma mais “oficial” Displasia de Desenvolvimento da Anca (DDA) é uma patologia na qual existe uma relação mecânica anormal entre a cabeça do fémur e o acetábulo. É uma patologia ortopédica neonatal mais frequente em meninas do que em meninos. Incide com mais frequência nos caucasianos e, muito importante, incide frequentemente nos bebés pélvicos ou com apresentação pélvica no parto.

Em comparação com os países africanos e asiáticos,  acha arriscado afirmar que esta é uma doença mais diagnosticada no “mundo ocidental?                                                                                                                Sendo mais frequente nos caucasianos do que nas restantes raças não é de todo arriscado afirmar isso. Contudo não será só uma questão de falta de diagnóstico nos países africanos ou asiáticos, mas sim o aumento de ocorrências no “mundo ocidental.

Estudos realizados em 2009 concluíam que a displasia da anca é uma doença que afecta três em cada mil bebés nascidos em Portugal. Houve alguma alteração nesta estatística de há uns anos para cá?        Informações mais recentes reduzem de 3 para 2 em cada 1000. Parece pouco mas representa uma redução de 33%. Em consulta esse é certamente um dos pontos a observar com frequência no primeiro semestre. Na minha experiência é relativamente comum encontrar crepitações articulares nas primeiras consultas assim como as assimetrias, mas estas vão-se dissipando e são poucos os casos que vão além dos 6 meses.

Com que idade é possível fazer-se um diagnóstico? É possível detectar-se logo à nascença?                                                                                                        O diagnóstico ideal é neonatal. Crepitação articular, ressalto articular, alterações na abdução das ancas, juntamente com as assimetrias das pregas glúteas, apontam para um quadro orientado para a Displasia de Desenvolvimento da Anca (DDA)

303269_807_XL

Se não for tratada atempadamente, a DDA pode conduzir à doença degenerativa desta parte do corpo e à osteoartrite em idade adulta. Existe actualmente algum protocolo a nível nacional que a permita despistar ou identificar?                                                                                           Como disse anteriormente idealmente identifica-se no primeiro semestre de vida. Contudo a DDA pode manter-se silenciosa durante muito tempo aparecendo na adolescência sob a forma de uma dor inguinal ou claudicação. Pode desenvolver-se tardiamente em, por exemplo, atletas que pratiquem desportos que incluam muitas repetições de movimento de anca de forma padronizada. Não se tratando de um flagelo por contágio cabe aos pediatras, ortopedistas, especialistas de medicina desportiva identificar estes casos.

Quais são os sinais ou sintomas, aos quais os pais devem estar atentos para ajudarem a fazer um diagnóstico prévio?                                                 Nos bebés: se for menina, branca, pélvica ao parto, se apresentar pregas assimétricas, a probabilidade é alta. O oposto: rapaz, outra etnia, cefálico ao parto e sem pregas a probabilidade e francamente baixa. Contudo a contemplar também está a dificuldade em afastar as pernas do bebés para higienizar ou nos movimentos de flexão de anca que tanto fazem para estimular o trânsito intestinal sentirem um “crack”. Nestes casos devem consultar um médico.

No jovem e adulto: havendo historial clínico favorável, mais casos na família e sendo praticante de uma modalidade desportiva que envolva correr muito ou saltar com frequência, e se surgir uma dor na virilha, região inguinal ou na nádega, deve também consultar um médico.

Baby_Illustration__hip-flexion_lo-res_72dpi

Existem vários níveis de gravidade da doença?                                       Existem efectivamente vários níveis que podem ir de um ligeiro crepitar articular, um ressalto na articulação até à total incapacidade de a usar.

Perante as antigas terapias em que se utilizavam aparelhos fixos desconfortáveis, quais as formas terapêuticas de correcção mais utilizadas actualmente?                                                                                           Casos diferentes requerem medidas diferentes. Em teoria quanto mais cedo for a intervenção mais suave é, pois trabalha-se ainda na formação. Hoje em dia usa-se a dupla e por vezes tripla fralda (descartáveis), se forem fraldas de pano, a fralda dupla com a capa serve.

Considera que a forma como se transporta um bebé pode agravar um estado de DDA ou pode ajudar a curá-lo, mediante o método utilizado?Sem dúvida. Os carrinhos de bebé não prejudicam a formação da anca, mas em termos gerais não são benéficos. O transporte verticalizado tem sim um papel importante. Contudo existem marcas francamente más no mercado. Assim como felizmente existem outras francamente boas. O bebé deve andar sempre virado para o carregador. Seja transportado à frente, atrás ou de lado deve encarar sempre o carregador. Os bebés nunca deverão ser transportados virados para a frente. A posição do bebé deve ser como se estivesse sentado numa sela de cavalo: joelhos para o lado à altura das ancas ou pouco mais baixos. Não devem de estar como se estivessem de pé (alinhamento vertical de anca-joelho-pé).

Os humanos são mamíferos que não caminham nas primeiras 12 horas de vida, ao contrário dos restantes. Assim sendo estamos neste aspecto mais próximos dos marsupiais. É suposto sermos transportados ao colo, ou pelo menos de forma idêntica. Nada na nossa estrutura evolutiva indica que os carros de bebé  sejam adequados ao nosso corpo e de alguma maneira benéficos.

Quais os porta-bebés que recomenda?                                                                   Sem limite de orçamento recomendo os panos para o primeiro trimestre a as mochilas ergonómicas daí em diante. Os panos, desde que feitos de tecido adequado, são muito bons e confortáveis para o bebé e para o carregador, contudo requer alguma aprendizagem para fazer os nós. São bons para pessoas com estruturas físicas diferentes. Uma mãe com 50kg e um pai com 90kg podem usar o mesmo pano sem problemas uma vez que este se ajusta à forma e medida do carregador.

shutterstock_112396859

As mochilas porta-bebés ergonómicas são mais práticas de usar. Igualmente confortáveis para o bebé como para o carregador, contudo se os corpos dos carregados forem muito díspares pode ser necessário ajustar as correias de segurança para lhes servir de forma adequada. É uma forma prática de transportar que mantém as nossas mãos livres. Para caminhar no passeio, atravessar uma estrada ou simplesmente ir à praia bate a pontos qualquer carrinho. Promove o contacto e consequentemente o vínculo o que é muito importante. Para as mães que amamentam nem é necessário tirar o bebé, basta folgar o pano ou tirar tensão às correias e o bebé fica na altura certa para mamar.

O sling, na minha opinião, é muito limitado. Serve em perfeição para o primeiro trimestre, mas o bebé não vai verticalizado, o carregador vê o peso mal distribuído no seu corpo – a carga passa apenas por um ombro.

Qual a sua experiência pessoal, enquanto pai, no que diz respeito à utilização de porta-bebés?                                                                            Enquanto utilizador usei o pano Didymos e actualmente uso um porta-bebés ergonómico, a Manduca. Quer um quer outro revelaram ser bons investimentos, embora pessoalmente goste mais da Manduca.

Poderão seguir o trabalho do Dr. Gonçalo Costa ou obter o seu contacto e morada do consultório em:  https://www.facebook.com/consultoriodeosteopatia.goncalocosta

Bem-vindos! :)

O conceito Leva-me Contigo nasceu do amor incondicional por uma criança. O Babywearing sempre existiu na família, sempre foi tradição, sempre foi natural. Eu fui carregada no pano, a minha mãe foi carregada no pano, as minhas tias e a minha avó também. Connosco não podia ser diferente. A necessidade de apego, a resposta ao instinto natural, o corresponder às necessidades dos nossos bebés de forma imediata. A Parentalidade Natural. Somos família. A nossa forma de estar na vida liga-nos ao mundo biológico, ligado à terra, às coisas simples e à preocupação da escolha de produtos verdadeiros, isentos de químicos nocivos e com respeito pelo comércio justo.

Existe um universo ligado aos porta-bebés, produtos biológicos e parentalidade natural que muitas pessoas ainda desconhecem. Este blog é para todas as pessoas que praticam este estilo de vida e para aqueles que querem conhecer ou saber mais. Entre entrevistas a profissionais da área de saúde e testemunhos de famílias, artigos de opinião e receitas caseiras, esperamos focar temas interessantes e partilhar experiências e conhecimentos. Sigam-nos! 🙂

CIMG0076